8 de julho de 2026

“A próxima grande revolução tecnológica será marcada pela Inteligência Espacial e pela robótica humanoide”

Joan Folguera, Founder & CEO da INVELON, sobre o presente e o futuro do setor XR e da robótica.

Robotics
Extended Reality
“A próxima grande revolução tecnológica está prestes a chegar e será marcada pela Inteligência Espacial e pela robótica humanoide”

Joan Folguera analisa, nesta entrevista, como a união entre software, inteligência espacial e execução física está a impulsionar uma nova revolução tecnológica. Falamos de interfaces inteligentes e da aposta estratégica da INVELON na robótica como uma das grandes alavancas de transformação da próxima década.

Pergunta: Joan, o que está exatamente a mudar na relação entre humanos e tecnologia?

Resposta: A convergência entre Inteligência Artificial, Realidade Estendida e Robótica está a dar origem a uma nova camada digital sobre o mundo físico: um ecossistema onde o conhecimento deixa de viver em ecrãs para se integrar diretamente no espaço, transformando a forma como trabalhamos, aprendemos e evoluímos. As interfaces tradicionais chegaram ao seu limite e abre-se diante de nós um novo paradigma no qual a INVELON já está imersa há algum tempo, antecipando para onde vai o setor e como nós podemos acompanhar a sociedade, as pessoas e as empresas nesses avanços.

“A próxima grande revolução tecnológica está prestes a chegar e será marcada pela Inteligência Espacial e pela robótica humanoide”

P: Então, que tipo de interfaces veremos no futuro?

R: Na verdade, já as estamos a ver. As interfaces como ecrãs, apps ou painéis de controlo, que nos permitem interagir com máquinas e dispositivos, vão ficar obsoletas.
Entramos na era das interfaces espaciais e inteligentes
, sistemas interligados que vão continuar a mostrar-nos informação e a receber comandos em interações multimodais, mas que também vão ser capazes de compreender o contexto, interpretar a intenção do utilizador enquanto aprendem com ele, e adaptar-se dinamicamente a essa interação em tempo real.

Num futuro próximo, qualquer interface inteligente vai incluir produtos como visores de realidade virtual, smart glasses, ecrãs curvos, projeção imersiva, smartphones com realidade aumentada, hologramas e robôs. Neste novo paradigma, a robótica vai desempenhar um papel muito importante, trazendo uma camada física e operativa que, somada às capacidades da IA e da tecnologia XR, nos vai permitir entrar na próxima grande revolução tecnológica: a espacial.


P: Estas tecnologias que acabou de mencionar evoluíram de forma independente e paralela durante anos. O que mudou?

R: É precisamente nesse espaço de interligação e hiperconvergência entre estas tecnologias que a próxima revolução se vai realizar. A IA serve-nos atualmente para compreender, traz capacidade de raciocínio, interpreta, raciocina e ajuda-nos a tomar decisões. A XR, em qualquer das suas formas, traz-nos capacidade de visualização e contextualização do ambiente, possibilidades de simulação. Se somarmos a robótica como terceira camada, conseguimos atuar sobre o mundo físico, transferir tudo o que foi aprendido e simulado para o mundo real, aproveitando e materializando a visão da Inteligência Espacial, no seu sentido mais amplo. Sem robótica, a Inteligência Espacial pode compreender e assistir. Com robótica, podemos executar ações sobre ela e com ela.

P: Qual é o passo seguinte? Por onde vai começar essa nova revolução tecnológica?

R: A programação de robôs humanoides com dispositivos de realidade virtual. A pessoa realiza a tarefa com um dispositivo de realidade virtual (óculos VR, controladores e luvas hápticas, motion tracking, câmaras…).. Estas ferramentas ligadas ao sistema registam a posição da cabeça, os movimentos dos braços, a rotação dos pulsos, os gestos das mãos e até a força ou a intenção da preensão. O sistema traduz o movimento humano para o corpo do robô, transfere a informação e replica os movimentos humanos em tempo real. Também podemos usar tecnologias de teleoperação, de programação por linguagem natural ou de programação direta, como ROS, MATLAB, C ++ ou Python.

P: Que benefícios tangíveis vai trazer a robótica, aplicada a um ambiente real?

R: Este novo paradigma permite-nos automatizar tarefas complexas em ambientes industriais, logísticos e operacionais com maior precisão, eficiência e escalabilidade. Consequentemente, conseguiremos maior produtividade na execução de tarefas repetitivas, de elevada carga ou de alta precisão, libertando talento humano para atividades de maior valor estratégico. Também nos ajuda a alcançar padrões de segurança mais elevados, reduzindo a exposição humana em tarefas perigosas, repetitivas ou em ambientes críticos. E, por fim, levar a formação e a transferência de conhecimento ao nível seguinte, apoiando-nos na simulação com XR para treinar de forma mais rápida e eficaz.

“A próxima grande revolução tecnológica está prestes a chegar e será marcada pela Inteligência Espacial e pela robótica humanoide”

P: Para terminar. De que estaremos a falar daqui a 10 anos e que papel terá desempenhado a INVELON nesse avanço?

R: Sem dúvida, a próxima década será marcada pela digitalização do espaço e permitirá que pessoas, organizações e máquinas partilhem uma compreensão comum do ambiente e colaborem em tempo real. É no espaço de convergência entre tecnologias que se gerará grande parte do valor dos próximos anos. Acreditamos firmemente que é para aqui que o mercado avança. Por isso, para a INVELON é imprescindível potenciar a nossa divisão de robótica com novos partnerships e novo talento nas equipas. Vamos acrescentar novas capacidades tecnológicas ao nosso portfólio e completar a proposta de valor que permitirá aos nossos clientes fechar o ciclo completo da transformação digital. Vamos continuar a eliminar barreiras de acesso à tecnologia e este é o verdadeiro potencial da convergência e da inteligência espacial.